sábado, 17 de maio de 2014

Grãos do Paraíso

Grãos do Paraíso
Todos que me conhecem sabem da minha paixão por especiarias.

Desde criança, me encantavam os aromas da comida da minha avó e da minha mãe, as exímias cozinheiras que me iniciaram nos segredos alquímicos das ervas e especiarias. 

Durante toda minha vida, nunca abandonei o habito de pesquisar e buscar diferentes sabores, aromas e cores que pudessem engrandecer ainda mais minhas aventuras culinárias.

Em minhas andanças por aí, sempre que posso, faço uma imersão na cultura local em busca de novidades. Na minha última viagem ao Oriente Médio, experimentei um peixe grelhado maravilhoso, com um sabor picante e quente. Era um sabor celestial, levemente amadeirado que combinava explosivamente os aromas e sabores da pimenta do reino, coentro, cardamomo, raspas de limão e algumas notas de flores. Isso me fez lembrar a sensação de caminhar por uma floresta em uma tarde quente de verão. Enlouqueci como devem imaginar!

Perguntei ao chef o que era “aquilo” e ele me respondeu todo solene que era uma especiaria da África Ocidental, que se chamava “Grains of Paradise”. Amei o nome e imediatamente fui procura-los nos “spice souks”.

Além do nome exótico e sabor complexo, as sementes são lindas! Elas têm forma de gota, com laterais angulares. Por fora, marrom profundo e o interior revela um centro branco e cremoso.

O nome faz jus ao sabor e ao aroma, são realmente “Grãos do Paraíso”!

Aframomum spp.
Os Grãos do Paraíso são praticamente desconhecidos na cozinha Ocidental moderna, embora eles tenham sido utilizados na Europa, na Idade Média e Renascimento. Apesar de hoje serem caros e raros, no passado eles foram usados para substituir a pimenta do reino, que na época era muito mais cara que eles.

Eles já serviram para aromatizar vinhos, vinagres, spirits e ainda hoje são usados para a produção de cerveja. Atualmente, na Escandinávia, essas sementes são usadas para dar sabor ao tradicional Akvavit. São também uma das especiarias utilizadas no famoso gim Bombay Sapphire. Gana é hoje o seu principal produtor e pequenas quantidades também são cultivadas na Índia, Caribe, Serra Leoa e Guiné.

Reza a lenda, que esse nome foi inventado pelos comerciantes de especiarias Medievais, que para aumentar o seu preço, alegavam que essas sementes nasciam somente nos Jardins do Éden e que eles tinham que coleta-las, com muita dificuldade, nos rios que desciam do Paraíso.

Seu uso em culinária é mais comum no Oeste Africano, embora também possa ser encontrado como um dos ingredientes do tradicional tempero marroquino Ras El Hanout.

Posso garantir que meu armário de especiarias ficou muito mais rico com os grãos do paraíso. Quando vou usar, trituro pequenas porções na hora, para aproveitar melhor seus sabores e aromas. Já os usei para temperar Kebabs, marinar peixe e temperar frango. Ficou muito bom polvilhado em saladas verdes e legumes cozidos. Ainda vou experimenta-los em sopas e cremes. Também ouvi dizer que podem ser usados em sobremesas de frutas, como nas tortas de maçã. Eu usei num abacaxi grelhado e ficou maravilhoso!

Não vejo a hora de me deliciar com novas experiências gastronômicas usando meus "Grãos do Paraíso". Definitivamente, os Grãos do Paraíso são a especiaria da vez na minha cozinha!

Ozana Herrera

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